19 março 2008

Tradição - Lisan - Tradition - Adat

01 julho 2006

Encantamentos no Fatucama e à volta de Díli

Enquanto subo as escadas que vão dar ao Cristo-Rei, ouço lá ao fundo o rugir das ondas do mar, que chega a parecer uma cascata estrondosa; afasto os sempre incomodativos e perigosos mosquitos e vou olhando as portas que simbolizam as paragens, sofridas, de Cristo durante o seu percurso até à sua crucificação. Por mim passam alguns timorenses com o seu caminhar elegante e descalço. Os montes de castanho pintados dão, com a chegada da época das chuvas, lugar a um verde lindo…
Neste dia, pelo menos neste dia, o lado de lá do Cristo-Rei, junto à praia dos portugueses, presenteia-nos com um mar muito mais calmo, que quase parecerem haver dois mundos diferentes, que contrastam, apenas separados por um monte. Curioso. Este monte onde o enorme monumento olha o mar chama-se Fatucama.
De repente, mas não de forma surpreendente, uma família de nuvens resolve chorar com a ganância e falta de bom senso dos homens e vem chorar a uma terra distante. Começa a chover e eu decido cantar. É bom sentir na pele esta chuva quente, tropical. Pode parecer um lugar comum, mas caminhar, correr, andar de bicicleta, cantar, e outras tantas coisas que se podem fazer à chuva, sempre provocou em mim uma sensação de liberdade. E, acima de tudo, faz-me sentir vivo, sentindo na pele o néctar dos seres vivos.
Desço do Cristo-Rei no Fatucama e sigo num passeio. Já de mota, subo o monte e desço-o. Já do outro lado, no sopé, resolvo seguir por um trilho que me conduz a uma praia isolada, com cerca de cinquenta metros de largura e dez de areal até à borda da água salgada. Encostada a uma mini-escarpa de um dos seus lados, onde no fundo uma pedra negra reproduz a forma de um crocodilo que descansa na água que banha o areal, esta praia é uma alusão a um paraíso.
Deitado na minha toalha, cuidadosamente como vim ao mundo, sinto que a vida também é assim: plena de desapegos, de liberdade. E olho as sempre diferentes tonalidades do mar, que não me canso de ver, aquelas e aquele, quando reparo e volto a reparar; isto na terra que, como a poesia que produz encantamento no leitor, é de sonho e encantamento.
Mudo de lugar na realidade de sonho. Definitivamente, esta é uma terra de magia. Ainda em Díli, na praia dos coqueiros, para onde depois fui com o Gabriel, meu companheiro de andanças, corro demoradamente pelo areal até à zona do aeroporto. Sem a máquina fotográfica que, juntamente com o lápis, um caderno possível e algo mais para uma situação que a imaginação possa prever que surja inesperadamente, deve acompanhar aquele que escreve, e sem os dotes para o desenho que deveria, ou pelo certamente não me importaria de possuir, tiro desta forma o retrato deste momento: deparo com duas árvores que espantaram a minha a atenção; um coqueiro já só apoiado em metade da sua base, na areia, inclina-se para o mar, impondo-lhe respeito; uma outra, que apelido de a majestosa, de troncos brancos, folhas verdes e raízes expostas ao sol, manifesta uma postura de rainha, estendendo um dos seus braços à espera de uma companhia a quem possa contar as suas histórias de uma realeza.
Neste momento, não o que escrevo, que já é futuro, mas o da sequência narrativa dos acontecimentos, eu e o meu amigo, um espírito da paz, que anda à solta, ajudamos um pescador a dar à costa – quase estampava o seu barco na areia, podendo até rachá-lo ao meio; donde, já sem vida e ingloriamente, quase regressou ao mar o fruto do seu trabalho e o seu ganha-pão. Todos acorreram para ajudar e contribuir no sucesso do que estes dois malais faziam. Malais estes que já sentem na alma o cheiro do crocodilo.
As deleitosas horas passadas terminam na D. Fina – designação carinhosa dos clientes assíduos de um bar/restaurante na praia da areia branca.
Na D. Fina, ao sabor de um sumo de abacate, sentado na direcção do mar de Timor, qual quadro impressionista posso contemplar! Um céu pintado de laranja e azul (e outras demais cores quase indefiníveis), sob o rugido da pré-rebentação na costa, com Díli no canto esquerdo e no direito mais um derrame de laranja que parece desviar os olhos do Cristo-Rei – assim estou sentado na D. Fina, acompanhado, novamente com o espírito da paz à solta e uma outra alma declarada ao mundo – alma esta que sorri a cada instante do sopro de uma aragem.
Há sorrisos que, como as paisagens, pintam impressões inesquecíveis no crepúsculo da nossa memória. E assim nos encantam.

16 junho 2006

Vidas Diferentes

Gostaria de ser livre. Mas ainda não o consegui. O dinheiro é Deus. Esta é a verdade. E este facto não me preocupa. Apenas me entristece. E entristece-me porque, não raras vezes, o consumismo, ora desenfreado, ora controlado, devora-nos a cada instante.
Eu próprio não consigo fugir a ele, quando acontece a oferta ser sedutora. Bali, mais concretamente Kuta, é um exemplo. Um relativamente barato paraíso dos estilos. É difícil recusar: luzes semelhantes a Las Vegas, músicas diferentes por todo o lado, restaurantes apelativos e baratos, com bom atendimento aos clientes, clubes, bares/discotecas, ruas movimentadas, lojas com roupas simpáticas, convidativas, acompanhadas de preços chamativos, raparigas de todos os géneros e feitios, bonitas e sorridentes, exceptuando algumas, bastantes, estrangeiras, que, não raras vezes, seguem a sua linha sem se desviarem, quando, sabemos nós, é no desvio que pode estar o encontro, embora também a perdição.
Mas o propósito desta crónica é outro: falar de vidas diferentes, mas que também acontecem aqui, numa das milhares de ilhas do país impossível, há quem diga. E é sobre uma vida diferente que desejo deixar o meu testemunho, ou que gostaria de vos falar ao ouvido, se for já noite e o vosso vizinho não quiser ser incomodado enquanto está secretamente a delinear a próxima fórmula com que vai enganar o fisco. Falo da vida de Marcelo: um balinês que vive para sorrir e sorrir enquanto vive. E, assim, faz bem às pessoas. Transmite boas energias à sua volta. Gosta do que faz, o que é algo de louvar e também de sãmente invejar. É nadador salva-vidas, faz surf, ganha dinheiro para viver, tem uma banda, onde canta, e, acima de tudo é puro com as pessoas e ajuda-as com a sua boa disposição – portanto, à sua maneira.
Deste modo, esta é uma das vidas diferentes, e válida como tantas outras, que vou encontrando pela vida. Pois, o fio da vida tem desvios invisíveis que nos surpreendem a cada instante.
Hoje, dia 22 de Março, em Bali, no “Maxi Garden Restaurant and Bar”, na J. L. Legian-Kuta, encontrei espaço temporal para poder falar de uma vida diferente que se mistura com outras.
E que dizer do velho javanês que conheci por acaso, em Yogyakarta, Java, que com muita vontade me quis ensinar a língua bahasa-indonésio – é uma vida diferente: com dois filhos, tenta sobreviver com a sua bécak (um meio de transporte híbrido de bicicleta e charrete, em que o homem transporta os seus clientes pela cidade, dando ao pedal, por vezes só com uma perna, fazendo descansar a outra). Precisa de 20.000 rupias (sensivelmente dois euros) por dia para comer e mais 35.000 rp. (sensivelmente três euros e meio) para alimentar os filhos. Quando não tem dinheiro suficiente come num “warung” (trata-se de um pequeno restaurante móvel, em forma de um pequeno carrinho, estacionado à beira da estrada) e fica a dever o que come, até ter dinheiro para pagar. Fica no rol.
Disse-me que na sua vila, em casa, ainda tem, felizmente, limão para comer; que a qualidade de vida na Indonésia está muito má e que o dinheiro por vezes não dá para comer – enfim, que é muito difícil conseguir 50.000 rp. por dia (mais ou menos cinco euros).
Apeteceu-me dizer-lhe, ao velho senhor, que sei de outras vidas diferentes, em Timor-Leste – vidas que sobrevivem, não que vivem, com um (1) dólar por dia. Mas achei que não seria oportuno. Disse que…, ou melhor, perguntou-me se é verdade que no meu país o governo dá dinheiro às pessoas que não o têm suficientemente para se poderem alimentar. Respondi-lhe que não é bem como ele pensa; que existe um rendimento mínimo garantido, um salário mínimo – enfim, um estado providência – mas que actualmente este mesmo estado entrou em declínio por causa dos vícios do mundo moderno ocidental...

Aprecio vidas diferentes. Porquê? Porque a diferença enriquece. E o homem, de seu nome Ngurah, que desta mesa do restaurante “Maxi Garden Restaurant and Bar”, onde escrevo, ouço a cantar ao vivo no palco do restaurante, com a sua forma de viver, a cantar, enriquece aqueles que se encontram à sua volta.
Palmas para ele e para as vidas diferentes.

05 junho 2006

A Outra Face da Ilha

As tais claridades da noite

Garanto que vi uma cara, um par de olhos, uma testa branca, que esconde mistérios negros na claridade – foi o que os meus olhos e a minha imaginação viram.
Curiosamente, quando olho este disco, o espelho do céu, que agita as águas, sinto-me incompleto na minha perene esperança. Sinto a frustração de quase lhe poder tocar. E aproveito para olhar o bailar das ondas ao encontro das rochas, brilhando num vai e vem; e repenso que na natureza, sim, me completo.
Numa noite assim, em Timor-Leste, imagino a amante do gigante Bei-Leira a surgir no planalto de Ossu, gritando o nome dele, como se tivesse a dar à luz uma vida nova e cada vez com mais força – fazendo-nos lembrar a beleza abstracta do amor e a triste força da perda.
É numa noite como esta que há luz em todos os cantos e recantos da alma. Agora sim, posso ir dormir… Mas antes, garanto, apetecia-me beber a água do mar que ouço deste parapeito de pedra, a bater, só e destemida; e desejo desenhar com palavras, única arte de desenho ao meu alcance presente, os montes que formam o crocodilo aqui perto, ainda na sua força a dormir – crocodilo primário que encarnou o feroz animal que atemoriza quem não o respeita.
Recuando ao gigante Bei-Leira e à sua amante, enquanto o grito estridente mas agora melodioso da sua amante se propaga por entre os montes sofridos da guerra silenciosa, o crocodilo cochila, os grilos e os passarinhos da noite cantam, esperando a calma que não virá mais da amante de Bei-Leira. E assim, logo ouvirei os gritos dela, lá no planalto de Ossu, prestando uma preciosa atenção.
Quem os conseguir ouvir, os suplícios, se prestar atenção, será então um “filho adoptivo” de Timor-Leste, pois só os filhos de Timor-Leste saberão ouvi-los: aos gritos.

Em frente ao Palácio do Governo, via a claridade da noite e o crocodilo que está em todo o lado para onde os timorenses olham. Nesta mesma claridade, jamais tornei a ser o mesmo. Imaginei as noites que não viverei por não estar aqui e senti os gritos, sem contudo os ouvir.
Restar-me-á comer sobre um tais (falo dos tais tais), à mesa portuguesa, colocar um tais ao pescoço, enquanto vivo a necessária futilidade, porque aqui estou e aqui tenho de respirar a vida social, da opressão mental do português em que não me revejo, sair com ele, o tais, à noite e ser olhado de esguelha por me apresentar diferente do convencional, enfim, um querer ser sem o poder – talvez esteja errado o que penso e depois digo, mas igualmente será errado que talvez esteja bem aqui.
Ora, estar errado ou não talvez não seja a questão principal. Talvez importe mais se é errado eu estar aqui, num país de cátaros da justiça humana.
Desejo um Timor-Leste igual e diferente ao da noite que contemplo. Igual na tranquilidade; diferente porque sem gritos, sem medo, com música de Tifa e outros nomes de referência do panorama musical timorense, com luz que há noite ilumine como as manhãs de alegria que virão para ficar por longos e quentes anos.
Desejo um Timor-Leste em que a serenidade das suas mulheres se transmita ao homem que ainda vive incerto. Desejo, quem sabe, um Timor-Leste que se erga com o impulso de outro cromossoma, o xx.
Com esta sensibilidade feminina nos lugares certos, um outro brilho nascerá neste jovem país.

Desejo que a memória erosiva não me apague, ou manche, as recordações inapagáveis.
Já com as primeiras maranhas do sono a envolver-me, penso e desejo continuar a imaginar as tais claridades da noite.

29 maio 2006

Duas Faces das Lágrimas

terra prometida!

em 2001
na noite da liberdade
lágrimas de alegria
subiram aos céus
da noite clara do barulho
que não atormenta
- o do fogo de artifício

ficaram para trás
o tempo das milícias tresloucadas
e aliciadas
dos refugiados confusos
da incerteza do raio de luz

e assim chegou
a terra prometida
no pedaço de crocodilo
com metade do tamanho da Bélgica
onde o tempo parou

e as lágrimas bem-vindas
desaguaram no estuário
da terra prometida! – Timor-Leste



onde estás, terra prometida?

em 2006
o estuário transbordou
com os preconceitos da ideologia
que se sobrepõem
à felicidade do povo

se o renascimento existe
e é um novo começo
então que morra já
a nação Timor-Leste

26 maio 2006

Um Comentário Público

Lágrimas que Correm

Xanana Gusmão desejava um Timor-Leste em que as pessoas acordassem de manhã a sorrir e se deitassem à noite sem medo.

Meu querido amigo,
as palavras que nascem em mim não se desprendem para descrever o que vejo na televisão. Imagino o terror e o medo da população por todo o território, em sítios que nos são familiares e onde recebíamos sorrisos inapagáveis.A esperança é sempre vasta, mas o futuro... é uma incógnita.Perderam a calma, perderam a serenidade.

Como estará a olhar Ataúro, a ilha vulcânica, para Timor, a ilha tectónica?

Meu amigo,
lá, lágrimas correm no oceano; aqui, quase penetram o disco rígido.

Como o bem-haja é o cumprimento dos homens realmente livres, então um bem-haja ao tempo que foi e ao tempo que voltará, não sabemos quando...

ai Timor!

ai Timor!
Hoje, que o som dos tiros atravessa os longos oceanos
eu queria estar aí.
Hoje, que os irmãos vociferam silêncios
eu queria estar aí.
Hoje, que a chuva se mistura com as lágrimas nas varandas das madres
eu queria estar aí.
Hoje, que a montanha escorre ira sobre tassi mane
eu queria estar aí.
Hoje, que o medo corre pelas veredas do dorso animal
eu queria estar aí.
Hoje que o betel faz ferver o sangue nas veias
eu queria estar aí.

Na baía de Díli, do outro lado, à distância de um braço, fica Ataúro, quente e sossegada. A ilha dos desterros. E o mar que parece calmo, não o é realmente.

Estar aí. E olhar Ataúro à distância de um braço nu.

10 maio 2006

Crónica de uma saudade futura

Levo comigo a Saudade e o Branco

No sorriso de uma criança, no olhar de um adulto, nas rugas de um velho está escrita a história e a cultura de um povo.

Estou de partida da terra onde o sonho não morre, num sorriso que não esmorece facilmente, puro, como no início curiosamente logo senti. Foram seis meses de árduo trabalho, mesclado de bom lazer, junto da comunidade universitária da Universidade Nacional de Timor Lorosa´e; foram seis meses que me permitiram viajar por quase todo o território maubere; em que recebi e distribui os sorrisos já repetidos, sempre incansavelmente, na minha escrita – sorrisos estes que são abertos, solícitos, esboços faciais da alma, desenhados no espaço e a caminho de cada um de nós. Levo-os comigo – principalmente os das crianças. Também transporto na minha arca de emoções as palavras silenciosas que saltam da biblioteca itinerante que é cada velho que conheço.
Os taxistas, que representam os jovens, os adultos e até uma classe expressiva, pelo seu número significativo, ora são simpáticos ora indiferentes ao cliente. Há que os compreender. Estão na sua terra. Já sofreram muito.
Levo então comigo todas as coisas boas e menos boas. Levo comigo a saudade futura das coisas, porque, como escreveu o nosso Herberto Hélder, sempre recatado na presença física, mas expressivo na sua intimidade, “… o amor das coisas no seu / tempo futuro / é terrivelmente profundo, é suave, / devastador”.
Levo, essencialmente, a vontade de voltar para consolidar o trabalho já realizado; levo a vontade de vir para melhorar o que fiz, para continuar a acrescentar um grão de areia na praia de descanso e de tranquilidade que está a ser construída aqui. Nos próximos tempos não será tarefa fácil, mas para chegar ao estuário por vezes há que atravessar com coragem os rápidos do rio.
Levo a vontade de voltar para continuar a amar este país que me conquistou com as suas conquistas já feitas e com aquelas por fazer; um país que quase arrebatou o coração ao meu país, que também sofre. Ainda não conseguiu arrebatá-lo, mas quem sabe…
Levo comigo a memória de quando fui ao supermercado “Lita Store”, vulgo Lita, comprar uma, aqui sempre cara, garrafa de gin e água tónica – torna-se uma bebida útil, por causa do quinino, que ajuda na prevenção da malária. Apanhei um táxi. O motorista chamava-se José da Silva, tinha 33 anos e uma ptose no olho esquerdo, comprou o seu carro (karreta, em tétum) por 33 contos, à data, e era um senhor muito simpático e que me fez pensar em algumas coincidências. Gostei de o conhecer.
Levo comigo a roupa tradicional de Timor-Leste, a lipa e cabaia, expressões como “a cadeira velha de rota”; levo a memória dos vendedores “Fan Ho Ailedo”, os que andam com um pau horizontalmente apoiado nos ombros, com fruta, peixe, carne e outras vitualhas em cada uma das extremidades da vara de madeira; levo a ideia de que Timor-Leste é um monumento à fecundidade, um totem biológico – donde, a estatística, invejável, de que todas as mulheres entre os vinte e os trinta anos têm um filho de dois em dois anos –, um monumento, repito, que celebra o valor da vida, que aceita a sua precariedade e convive de perto com a morte.
Levo comigo tudo aquilo que vou voltar a trazer: a admiração e a vontade de voltar a ser não só o bapack guru (senhor professor), mas também o amigo dos alunos nas sessões de poesia.
E, por último, já levo comigo a saudade da vontade com que escrevi horas a fio neste “livro em branco” onde as palavras estagiavam; livro que servia de ponte para o disco rígido; “livro em branco” que agora termino, após uma longa caminhada pelo branco, no branco e até à paz e pureza que encontrei e deixei testemunhada neste livro, repito, branco, que agora terminei sem mais espaço para escrever sequer as palavras: um fim – que aqui neste livro digital eternamente posso deixar registadas.